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Descubro o Dostoievski entre o Turgueniev e o Tchekov através d’Ela.
É daquelas descobertas como se participasse dum jogo de orientação. Ora o caminho de A a B é este, mas por aqui também és capaz de ir lá dar.
Interrompi a Idade da Razão do Sartre e tudo começou pelo fim, resolvi ler um livro deste e já enquanto, tratava-se do terceiro tomo de uma trilogia. Não cessei e deixei o Delarue pegar na espingarda, mais tarde tomei posse do segundo tomo e arrumei-o na prateleira dos “ainda não”. Até há pouco tempo lia o primeiro.
Se a compra do segundo foi uma verdadeira pechincha de achado, já o primeiro foi a volúpia de achar a lua por queijo. Que delicia ter nas mãos uma edição de 1971 da Penguin, Capa parcialmente preta, parcialmente Guernica. Tradução… terrível. Não consegui suportar mais a insistência do tradutor em traduzir toda a angústia francesa de existir por um só insistente adjectivo, disgust.
“Donde cortaste tu este nariz, grande animal? – gritou ela furiosa. – Canalha! Bêbado! Vou entregar-te à polícia, malvado! Ouvi já dizer a três pessoas que tu puxas de tal modo pelos narizes ao barbear que ficam presos por um fio. ” in O Nariz de Nicolau Gogol
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Eu sou um pé. Ficam já a saber, para o caso de não concordarem com alguma coisa que fôr aqui escrita. Levo uma vida muito terra à terra. Estou muito assente no chão. Gosto de dar um passo de cada vez, mas há vezes em que gosto de dar um grande salto.
21 de junho de 2009
19 de junho de 2009
17 de abril de 2009
IV Anni
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Hoje passa-se o segundo dia e quatro anos desde que cheguei a Londres.
Pessoalmente, acho refrescante olhar com concentração semicerrada para trás e dar uma boa espreitadela no que se passou, na pessoa que era e no que fiz, para além de que desde que fui assaltado com um pontapé nos costados não mais consigo andar na rua com alguém a soltar passos largos atrás de mim sem dar uma espreitadela para o que há de vir. Penso que é um bom exemplo de como o futuro nem sempre está à minha frente.
É comum perguntarem-me porque escolhi Londres a Lisboa. Para um Inglês não tem cabimento aceitar os winter blues de livre vontade. Eu respondo que foi por razões económicas, razões de progressão na Indústria em que sem tentar me encontro. Quando a pergunta é feita num mesmo sujeito verbal tenho vindo a responder que em Lisboa não sabia mais quem era, que só em Londres, ou em qualquer outro sítio suficientemente distante de casa poderia passar por situações em que só o eu contava, tratando-se de uma hot potato ou de brownie points.
Foi então menos fuga do que perseguição. Acho, este rito porque passei (talvez ainda passe), acabaria sempre por me encontrar aqui, em Lisboa ou em qualquer outro sítio. Era em retrospecto uma questão de tempo mais que espacial.
Agora vou fazer uma lista dos meus amigos para ver quem são os meus connectors, uma ideia que está no Tipping Point do Malcolm Gladwell, um livro sobre e não de Marketing... mas é ao de leve prometo.
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Hoje passa-se o segundo dia e quatro anos desde que cheguei a Londres.
Pessoalmente, acho refrescante olhar com concentração semicerrada para trás e dar uma boa espreitadela no que se passou, na pessoa que era e no que fiz, para além de que desde que fui assaltado com um pontapé nos costados não mais consigo andar na rua com alguém a soltar passos largos atrás de mim sem dar uma espreitadela para o que há de vir. Penso que é um bom exemplo de como o futuro nem sempre está à minha frente.
É comum perguntarem-me porque escolhi Londres a Lisboa. Para um Inglês não tem cabimento aceitar os winter blues de livre vontade. Eu respondo que foi por razões económicas, razões de progressão na Indústria em que sem tentar me encontro. Quando a pergunta é feita num mesmo sujeito verbal tenho vindo a responder que em Lisboa não sabia mais quem era, que só em Londres, ou em qualquer outro sítio suficientemente distante de casa poderia passar por situações em que só o eu contava, tratando-se de uma hot potato ou de brownie points.
Foi então menos fuga do que perseguição. Acho, este rito porque passei (talvez ainda passe), acabaria sempre por me encontrar aqui, em Lisboa ou em qualquer outro sítio. Era em retrospecto uma questão de tempo mais que espacial.
Agora vou fazer uma lista dos meus amigos para ver quem são os meus connectors, uma ideia que está no Tipping Point do Malcolm Gladwell, um livro sobre e não de Marketing... mas é ao de leve prometo.
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24 de março de 2009
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"The only truth is the state were in" ou qualquer coisa assim disse o Charlie Kaufman agora numa entrevista.
"Qualquer coisa assim" é talvez a melhor forma de descrever a minha falta de memória a curto prazo.
Esqueço-me tanto como qualquer outra pessoa mas quando a isso se junta desorganização uma sensação de perca de tempo assombra-me como nenhuma nuvem cinzenta londrina consegue mimicar. não me esqueci contudo do que, como defini-la? a minha guru alemã disse.
André andas em modo cruzeiro e por escolha tua... tua... ua... ecoa desde então e reverbera na voz do meu senhorio, que por sinal tem falhas de memória do estilo "Viste o cão? O cão ainda está no jardim?" Nós não temos cão. ...e na voz de um amigo.
Ando em modo cruzeiro, é um facto que um outro amigo me diria eu não preciso de justificar, mas preciso pelo menos a mim e restantes mentes nas quais gosto de ressoar, neste caso nesta forma "Macro Twitter". Sou só eu quem acha que o Twitter é a coisa mais parva de sempre ou, reduzindo o ênfase, do momento.
Eu não sei o quero fazer quando for grande e assim espero que as respostas venham ter comigo não se trata de um caso em que eu não faça as perguntas ou escolha caminhos quando deparo com encruzilhadas, o que eu faço é esperar que as respostas venham ter comigo e não construo os meus próprios cruzamentos vou antes andando até chegar a um.
O problema estará na premissa, na crença de que todas as respostas irão mais cedo ou mais tarde concluir um final feliz qual filme de bollywood em inglês. Também estará na atitude de que para conseguir algo bom é preciso passar por algo eventualmente mau. Eu, presumindo que de facto passei algo mau, deixando para segundo plano a possível discordância de alguém que tenha sido por exemplo engolido por uma baleia azul nos mares gélidos do Alasca, terei a noção quantificante e consciente do quanto de bom usufruo no presente?
O Presente é sem dúvida uma oferta no sentido gratuito por menos divino que seja, mas é para além disso continuo e se o restringir ao passatempo de esperançar algo melhor não tomarei mão nas correntes em que me desloco.
"The only truth is the state were in" ou qualquer coisa assim disse o Charlie Kaufman agora numa entrevista.
"Qualquer coisa assim" é talvez a melhor forma de descrever a minha falta de memória a curto prazo.
Esqueço-me tanto como qualquer outra pessoa mas quando a isso se junta desorganização uma sensação de perca de tempo assombra-me como nenhuma nuvem cinzenta londrina consegue mimicar. não me esqueci contudo do que, como defini-la? a minha guru alemã disse.
André andas em modo cruzeiro e por escolha tua... tua... ua... ecoa desde então e reverbera na voz do meu senhorio, que por sinal tem falhas de memória do estilo "Viste o cão? O cão ainda está no jardim?" Nós não temos cão. ...e na voz de um amigo.
Ando em modo cruzeiro, é um facto que um outro amigo me diria eu não preciso de justificar, mas preciso pelo menos a mim e restantes mentes nas quais gosto de ressoar, neste caso nesta forma "Macro Twitter". Sou só eu quem acha que o Twitter é a coisa mais parva de sempre ou, reduzindo o ênfase, do momento.
Eu não sei o quero fazer quando for grande e assim espero que as respostas venham ter comigo não se trata de um caso em que eu não faça as perguntas ou escolha caminhos quando deparo com encruzilhadas, o que eu faço é esperar que as respostas venham ter comigo e não construo os meus próprios cruzamentos vou antes andando até chegar a um.
O problema estará na premissa, na crença de que todas as respostas irão mais cedo ou mais tarde concluir um final feliz qual filme de bollywood em inglês. Também estará na atitude de que para conseguir algo bom é preciso passar por algo eventualmente mau. Eu, presumindo que de facto passei algo mau, deixando para segundo plano a possível discordância de alguém que tenha sido por exemplo engolido por uma baleia azul nos mares gélidos do Alasca, terei a noção quantificante e consciente do quanto de bom usufruo no presente?
O Presente é sem dúvida uma oferta no sentido gratuito por menos divino que seja, mas é para além disso continuo e se o restringir ao passatempo de esperançar algo melhor não tomarei mão nas correntes em que me desloco.
10 de março de 2009
4 de março de 2009
18 de dezembro de 2008
Prioridades
Está mesmo a apetecer escrever-me.
Está uma lasanha no frigorífico.
Os meus amigos chegam daqui a uma hora.
Os dados para o work placement ainda não os enviei.
Tenho as prendas.
Não tenho papel de embrulho.
Preciso dum computador?
Compro-lhe bilhete de comboio para Lisboa?
Está uma lasanha no frigorífico.
Os meus amigos chegam daqui a uma hora.
Os dados para o work placement ainda não os enviei.
Tenho as prendas.
Não tenho papel de embrulho.
Preciso dum computador?
Compro-lhe bilhete de comboio para Lisboa?
26 de setembro de 2008
É como se fosse
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"Não te preocupes, não estás atrasado."
Mas estou, por escolha minha e pelo devir constante e aleatório que é como ele está bem. Porque lá em casa quando eu era pequenino sempre ouvi dizer que isso de estar tudo a correr bem não é bom sinal.
Depois de encher um copo com água e sentar-me num lugar vazio, percebi o que a Pam queria dizer. Nunca é tarde para voltar a estudar.
"Arts Management" não seria o curso que teria escolhido para estudar aos 18 anos caso tivesse terminado o 12º ano, mas é o curso em que depois de 8 anos a trabalhar em televisão e depois de 1 hora numa "Open Evening" falar com professores, decidi embarcar (tudo o que é desafio tem algo de náutico para mim).
Eu sei o que quero deste curso, não sei se o vou conseguir, mas o professor disse que gostava da minha atitude e que eu estava no caminho certo por isso continuei e fui fumar um cigarro lá fora.
Voltei a sentar-me e ouvi uma senhora responsável pelo financiamento às Artes no Reino Unido falar como se só eu estivesse na sala, dei-lhe toda a minha atenção, assim de mão beijada, logo, imediatamente! Mas nem houve daquelas dúvidas: será que ela tem alguma coisa de interessante para dizer com um corte de cabelo daqueles? Nada disso, conquistou-me completamente, pior que uma feirante a receber beijos de um politico. Uma vergonha.
É como se fosse o primeiro dia na faculdade.
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"Não te preocupes, não estás atrasado."
Mas estou, por escolha minha e pelo devir constante e aleatório que é como ele está bem. Porque lá em casa quando eu era pequenino sempre ouvi dizer que isso de estar tudo a correr bem não é bom sinal.
Depois de encher um copo com água e sentar-me num lugar vazio, percebi o que a Pam queria dizer. Nunca é tarde para voltar a estudar.
"Arts Management" não seria o curso que teria escolhido para estudar aos 18 anos caso tivesse terminado o 12º ano, mas é o curso em que depois de 8 anos a trabalhar em televisão e depois de 1 hora numa "Open Evening" falar com professores, decidi embarcar (tudo o que é desafio tem algo de náutico para mim).
Eu sei o que quero deste curso, não sei se o vou conseguir, mas o professor disse que gostava da minha atitude e que eu estava no caminho certo por isso continuei e fui fumar um cigarro lá fora.
Voltei a sentar-me e ouvi uma senhora responsável pelo financiamento às Artes no Reino Unido falar como se só eu estivesse na sala, dei-lhe toda a minha atenção, assim de mão beijada, logo, imediatamente! Mas nem houve daquelas dúvidas: será que ela tem alguma coisa de interessante para dizer com um corte de cabelo daqueles? Nada disso, conquistou-me completamente, pior que uma feirante a receber beijos de um politico. Uma vergonha.
É como se fosse o primeiro dia na faculdade.
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10 de julho de 2008
4 de julho de 2008
Carta aberta ao Sr. Saramago
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Caro Senhor José de Sousa Saramago,
Acabei de ler "O Conto da Ilha Desconhecida". É agora e para sempre, o primeiro livro escrito por si, que li.
Contudo, não é o seu primeiro livro que leio em Português, esse ainda não existe. Existe. Ainda não o li, para ser preciso.
Sou Português e li o meu primeiro livro seu, em inglês.
Primeiro lamentei o facto consumado, invocando a negrito as minhas fronteiras. Essas fronteiras, servem apenas para saudar alguém que as passa, como fazemos quando recebemos alguém em nossa casa.
Mas a verdade é que, a principio o instinto atraiçoou-me ao achar que o atraiçoava a si e a mim e à língua portuguesa. Essas fronteiras poderiam ter adiado a leitura do conto mais bonito que li até hoje. Eu que achava esse prémio intransmissível para fora das "Estórias Abensonhadas" do Sr. Mia Couto.
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Anseio agora ainda mais por poder ler os seus livros na nossa língua, antes admito não estava nos meus próximos planos fazê-lo.
A minha Biblioteca local fez um favor à língua portuguesa ao disponibilizar-me livros seus, seja em que língua for.
Gostei muito do seu conto, as 42 páginas que o completam sabem a pouco, espero o crescer de raízes entre nós para poder partir em busca dessa ilha desconhecida que é a sua escrita.
Os melhores cumprimentos,
André de Matos Torres
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Caro Senhor José de Sousa Saramago,
Acabei de ler "O Conto da Ilha Desconhecida". É agora e para sempre, o primeiro livro escrito por si, que li.
Contudo, não é o seu primeiro livro que leio em Português, esse ainda não existe. Existe. Ainda não o li, para ser preciso.
Sou Português e li o meu primeiro livro seu, em inglês.
Primeiro lamentei o facto consumado, invocando a negrito as minhas fronteiras. Essas fronteiras, servem apenas para saudar alguém que as passa, como fazemos quando recebemos alguém em nossa casa.
Mas a verdade é que, a principio o instinto atraiçoou-me ao achar que o atraiçoava a si e a mim e à língua portuguesa. Essas fronteiras poderiam ter adiado a leitura do conto mais bonito que li até hoje. Eu que achava esse prémio intransmissível para fora das "Estórias Abensonhadas" do Sr. Mia Couto.
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Anseio agora ainda mais por poder ler os seus livros na nossa língua, antes admito não estava nos meus próximos planos fazê-lo.
A minha Biblioteca local fez um favor à língua portuguesa ao disponibilizar-me livros seus, seja em que língua for.
Gostei muito do seu conto, as 42 páginas que o completam sabem a pouco, espero o crescer de raízes entre nós para poder partir em busca dessa ilha desconhecida que é a sua escrita.
Os melhores cumprimentos,
André de Matos Torres
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25 de junho de 2008
Depois das Férias - Parte um
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Primeiro acelerei até à Porta 22, mas esta dizia Genebra e eu queria Londres, enquanto o Sérgio foi à casa de banho, fiquei a esperar. o Sol das 20 horas desfragmentava-se como só o faz nas janelas grandes dos corredores para portas de embarque e fazia-me os olhos pequeninos.
Nesse latejar de pupila, quis deixar uma mensagem para os meus amigos, para todos os os meus amigos com quem não estou sempre, de quem não sei tudo, sempre, a quem é complicado exprimir saudades, desabafos, estórias e tudo o resto em quantidades de tempo quantificadas por copos de vinho.
Sei que não vens comigo, mas queria desejar-te. Boa viagem.
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Pupila = abertura da íris dos olhos por onde passam os raios luminosos que vão impressionar a retina
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Primeiro acelerei até à Porta 22, mas esta dizia Genebra e eu queria Londres, enquanto o Sérgio foi à casa de banho, fiquei a esperar. o Sol das 20 horas desfragmentava-se como só o faz nas janelas grandes dos corredores para portas de embarque e fazia-me os olhos pequeninos.
Nesse latejar de pupila, quis deixar uma mensagem para os meus amigos, para todos os os meus amigos com quem não estou sempre, de quem não sei tudo, sempre, a quem é complicado exprimir saudades, desabafos, estórias e tudo o resto em quantidades de tempo quantificadas por copos de vinho.
Sei que não vens comigo, mas queria desejar-te. Boa viagem.
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Pupila = abertura da íris dos olhos por onde passam os raios luminosos que vão impressionar a retina
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29 de maio de 2008
O Caderno Vermelho do Paul Auster foi o primeiro livro-coincidência que li. [Os livros-coincidência afectam sobretudo seres narcisistas e egocêntricos, que lêem muitos livros e julgam não ser importante equacionar que o binomio quantidade-probabilidade talvez possa ter alguma relevância na coincidência.]
Li-o num jardim interior. Sou facilmente seduzido por e quando em jardins de quatro paredes sem tecto.
Livros são psicologos, mas mais baratos. Ao leres vais imaginando o que farias em determinada situação, desde aqueles artigos na Reader's Digest do lenhador que escorregou em plena floresta perto de Milwaukee e cortou a jugular com a serra eléctrica, ou... o Matthieu do Sartre que resolveu ser valente, pegou numa espingarda e marchou para a sublimação.
Um senhor canta aqui ao meu lado e repete a palavra lifeline, É por acaso é? Seria, caso eu não fosse agora escrever sobre a ideia que me surgiu ao atravessar a ponte. [Atravessar a ponte nunca mais foi a mesma coisa desde que juntei o facto da corrente de alguns rios ser fortissima e o velho que transporta o Siddharta do Herman Hesse me ter revelado que ao ser atravessado, o rio leva-nos o que de passageiro temos. desde então, é muito devagarinho que chego ao outro lado.] A última vez que o fiz, assustou-me que sejam os livros que tenho lido que me escolhem e não o inverso.
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Não te escreverei poemas.
Assim fechei a frase, com ponto a pé, a porta.
A tua pele não é textura e os teus olhos não são geologicamente descritiveis.
Podes tirar as conclusões que quiseres dos meus segundos sentidos, mas deixa-me tirar-te o cabelo dos olhos.
Se te comparei, tinha inscrita em mim a inexperiência do tacto.
Não és um instrumento que o com tempo se começa a apanhar meios-tons.
E que tipo de construção atroz iremos nós construir quais pilares num poema árabe?
Não, não posso dizer-te ao certo o que antes me fazia escrever poemas pluviamente, mas tu também ainda não me explicas-te o que estavam a fazer tantas esculturas tuas no V&A.
Ou
"In that world I saw a sea of sand as fluid as water; I saw stones, both large and small, that attracted one another like iron and a magnet. When they came together, they could not come apart without someone intervening, just as when one takes the iron away from the magnet without the magnet being able to hold on. But if one fails to separate them, these stones continue to stick to one another at a set distance; when they are all joined, they have the form of a ship. I myself saw a small vessel with two hulls. When a boat is thus constructed, its passengers jump into the sea, and then they embark for wherever they wish." Ibn 'Arabi
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2 de maio de 2008
Ideias soltas... AH!
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Existem dias para escrever. Outros para não escrever. Eu sempre achei que essa regra simples de opostos se me aplicava. Hoje é um desses dias. de não escrever. Se fosse dia de escrever, não pensaria nisso, não escreveria sobre isso.
Existem momentos em que escrever é uma necessidade, tais momentos são tão dramaticamente difíceis de conter como têm o pior de sentido de oportunidade. Partindo da incontornável premissa que papel e caneta nunca estão na mesma dimensão física que o escriba, versos brilhantes e inícios de argumento vencedor de prémios surgem sempre naquele puxar de edredão para cima e primeiro suspiro de almofada.
Filmes. Bons filmes, com música introdutória de António Carlos Jobim são bastante eficazes para o surgimento de ideias brilhantes.
Três. É o terceiro ratinho que apanho, ou minky, como lhes chamamos aqui em casa. Londres proporciona-nos coisas extraordinárias, sinto-me que nem um aviador da RAF a contar os Messerschmitt que abateu. Gosto de caçar e o facto de cada um destes house mouse que apanhei ser incrivelmente parvo, não me retira a glória! Era ele ou eu.
Se escrevi escriba e não escritor há pouco, por intenção foi.
Julgo que não pertenço ao grupo de pessoas que tem ideias originais, se fosse um império seria o romano, podes continuar aí com os teus modos diferentes do meu, faz como se não estivesse aqui, mas agora pertences-me. Se não te importas enquanto estou por aqui vou estudar-te, decifrar-te e enviar-te para o alçapão onde me esqueço de coisas, mais tarde um destes dias, num vinho branco frio e seco, sirvo-te a ti.
Tenho de comprar um gira-discos, um amplificador e pronto.
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Existem dias para escrever. Outros para não escrever. Eu sempre achei que essa regra simples de opostos se me aplicava. Hoje é um desses dias. de não escrever. Se fosse dia de escrever, não pensaria nisso, não escreveria sobre isso.
Existem momentos em que escrever é uma necessidade, tais momentos são tão dramaticamente difíceis de conter como têm o pior de sentido de oportunidade. Partindo da incontornável premissa que papel e caneta nunca estão na mesma dimensão física que o escriba, versos brilhantes e inícios de argumento vencedor de prémios surgem sempre naquele puxar de edredão para cima e primeiro suspiro de almofada.
Filmes. Bons filmes, com música introdutória de António Carlos Jobim são bastante eficazes para o surgimento de ideias brilhantes.
Três. É o terceiro ratinho que apanho, ou minky, como lhes chamamos aqui em casa. Londres proporciona-nos coisas extraordinárias, sinto-me que nem um aviador da RAF a contar os Messerschmitt que abateu. Gosto de caçar e o facto de cada um destes house mouse que apanhei ser incrivelmente parvo, não me retira a glória! Era ele ou eu.
Se escrevi escriba e não escritor há pouco, por intenção foi.
Julgo que não pertenço ao grupo de pessoas que tem ideias originais, se fosse um império seria o romano, podes continuar aí com os teus modos diferentes do meu, faz como se não estivesse aqui, mas agora pertences-me. Se não te importas enquanto estou por aqui vou estudar-te, decifrar-te e enviar-te para o alçapão onde me esqueço de coisas, mais tarde um destes dias, num vinho branco frio e seco, sirvo-te a ti.
Tenho de comprar um gira-discos, um amplificador e pronto.
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6 de abril de 2008
Não é mentira a palavra que pretendo traduzir
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Pensei escrever sobre uma aluna que se degladiou com uma professora na sala de aula, muito tinha a dizer sobre a juventude perdida, tecnologia ao serviço do mono-raciocínio, fecho de escolas no centro da minha Lisboa e até da quantidade de vezes que apertei o pescoço à minha professora de francês com estas duas mãozinhas pálidas a suportarem-me a cabeça sobre as orelhas, enquanto a senhora nos falava de como era bom estar de frente prá sorbonne... ora, se ela me tivesse descrito o Quartier Latin, a livraria estrangeira que mira a sorbonne, ou informado que na primavera não existem parisienses feios e todas as mulheres flutuam sobre os vapores do duche que acabaram de tomar e um café torna-se cardio-vascularmente possível de tomar com cada uma delas, quem sabe onde eu hoje estaria?
Mal sabe ela , o bem que me fez, na sua desistência, pois hoje em dia podia andar aí desempregado ou até com um curso superior na axila, assim limito-me a inseguranças ortográficas e históricas, inferioridades em relação às palavras conferência, ensaio e paradoxo, culminando numa falta de bases, e método discursivo, como dizer... atroz.
Tudo porque o combate escolar que nunca sairia dos corredores da escola, transformou-se num fenómeno youtubiano que lançou os rastilhos para uma variedade de situações que essas sim, são para mim de arrancar cabelos, ou talvez de suspirar com ares de superioridade e nariz empinado, mas não tenho culpa, cada um tem o "ar" de dúvida existencial que Deus lhe deu.
Como escrevi ao inicio, pensei escrever apenas para chegar ao ponto em que vi no Público.pt, a frase do dia, o testemunho dado pela aluna, irrelevante para mim, mas importante para o jornal era que fosse dado a conhecer o que a aluna tinha a dizer sobre o assunto? Tornar essa a frase do dia?
Vamos lá ouvir a miúda que ao empurrar a professora de forma veemente (de)mente, tinha ali uma mensagem alienada pela sociedade à qual é urgente dar voz.
Eu busco calar absolutamente ninguém, mas sobre este assunto sinto uma obviedade que me aflige e estremece do mesmo modo que me achava em maus lençóis quando hooligans da mesma equipa de futebol que eu apoio, entravam na minha carruagem de metro a caminho do estádio.
Um partido da oposição a culpar o governo pelo acontecimento foi no entanto um dos pontos altos para a minha campanha a favor de um Estado Português Anarco-Monárquico.
Portanto só assuntos interessantes para escrever, mas está a nevar no jardim e é necessário que vá atirar bolas de neve a esquilos incautos.
Para quem não percebeu nada... "in a nut shell" a ideia principal que quero transmitir é "The Truth Lies..."
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Pensei escrever sobre uma aluna que se degladiou com uma professora na sala de aula, muito tinha a dizer sobre a juventude perdida, tecnologia ao serviço do mono-raciocínio, fecho de escolas no centro da minha Lisboa e até da quantidade de vezes que apertei o pescoço à minha professora de francês com estas duas mãozinhas pálidas a suportarem-me a cabeça sobre as orelhas, enquanto a senhora nos falava de como era bom estar de frente prá sorbonne... ora, se ela me tivesse descrito o Quartier Latin, a livraria estrangeira que mira a sorbonne, ou informado que na primavera não existem parisienses feios e todas as mulheres flutuam sobre os vapores do duche que acabaram de tomar e um café torna-se cardio-vascularmente possível de tomar com cada uma delas, quem sabe onde eu hoje estaria?
Mal sabe ela , o bem que me fez, na sua desistência, pois hoje em dia podia andar aí desempregado ou até com um curso superior na axila, assim limito-me a inseguranças ortográficas e históricas, inferioridades em relação às palavras conferência, ensaio e paradoxo, culminando numa falta de bases, e método discursivo, como dizer... atroz.
Tudo porque o combate escolar que nunca sairia dos corredores da escola, transformou-se num fenómeno youtubiano que lançou os rastilhos para uma variedade de situações que essas sim, são para mim de arrancar cabelos, ou talvez de suspirar com ares de superioridade e nariz empinado, mas não tenho culpa, cada um tem o "ar" de dúvida existencial que Deus lhe deu.
Como escrevi ao inicio, pensei escrever apenas para chegar ao ponto em que vi no Público.pt, a frase do dia, o testemunho dado pela aluna, irrelevante para mim, mas importante para o jornal era que fosse dado a conhecer o que a aluna tinha a dizer sobre o assunto? Tornar essa a frase do dia?
Vamos lá ouvir a miúda que ao empurrar a professora de forma veemente (de)mente, tinha ali uma mensagem alienada pela sociedade à qual é urgente dar voz.
Eu busco calar absolutamente ninguém, mas sobre este assunto sinto uma obviedade que me aflige e estremece do mesmo modo que me achava em maus lençóis quando hooligans da mesma equipa de futebol que eu apoio, entravam na minha carruagem de metro a caminho do estádio.
Um partido da oposição a culpar o governo pelo acontecimento foi no entanto um dos pontos altos para a minha campanha a favor de um Estado Português Anarco-Monárquico.
Portanto só assuntos interessantes para escrever, mas está a nevar no jardim e é necessário que vá atirar bolas de neve a esquilos incautos.
Para quem não percebeu nada... "in a nut shell" a ideia principal que quero transmitir é "The Truth Lies..."
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5 de março de 2008
Há mise bouche aborige!
As fotografias que retirei da parede com razão, colei-as de novo com emoção.
Preciso de férias deste fazer nenhum, festas e ilhas primeiro, depois há que puxar dos meus galões de não ter uma carreira definida, fechar os olhos, rodopiar e para onde os pés apontarem...
Aos meus amigos impreciso escrever novas de Londres.
Tenho saudades. saudades é pouco, preciso gritar "...Há mise bouche aborige!" dentro de um 4L.
Estou com os Winter Blues, talvez assim seja fácil, justificar esta nuvem cinzenta por cima da cabeça.
Contudo, um optimismo persistente revela-se e não descola, não sei se é da falta de glúten no intestino ou da ignobilidade que protege os parvos, faz aproximar o Verão e o sorriso de ventos quentes que ao passar-me nos lábios, beija-me um café tomado ao sol numa esplanada portuária, o Sonny Clark a zumbir-me sei lá eu donde, na mão um cigarro... na mão uma mão de quem não está habituada a estas temperaturas mas fica tremenda de saia. E puf... rebenta-se a nuvem cinzenta.
Alguém já ouviu falar de um tal de James Lovelock e quer partilhar? Ando fascinado com o quão próximo as suas teorias se podem relacionar com uma (entre quantas?) visão cristã sobre o Apocalipse e o papel interventivo que a humanidade pode ter em salvar o planeta não numa perspectiva de "coitado do bicho, vamos lá deitar menos papéis para o chão" mas como única forma de nos dar um futuro físico onde se possa novamente perguntar por exemplo "o que faço aqui?" sem que um tufão de areia tóxica não resolva o problema existencial por nós.
...Ideas anyone?
Gostei tanto, tanto tanto de ver o Paranoid Park no cinema que até me fez esquecer que devo ser o único skateboarder a quem um dente trepida quando em ruas irregulares.
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