17 de dezembro de 2004

Que estação é a tua?

Tenho medo de morrer, nem há uns dias queria morrer, dizia que queria, não queria.

Experimenta um susto, para as tuas prioridades darem uma volta de,
imensos graus.
Há tanta coisa por viver, o não saber o que aí vem assusta, podes crer que assusta.
Imagina um comboio lá ao fundo em andamento, tu estás longe dele, mas vais gradualmente aproximando-te dele, ele de ti. Olhas pela janela do quer que seja em que viajas, não sabes de facto onde e para onde, viajas…
Fá-lo, nunca foi preciso questionar.
Mal… mal ou bem dás por ti, estás em rota de colisão com o comboio, não é bem em colisão, chamemos-lhe aproximação violenta ao estilo “TAP Air Portugal”.
Sabes que queres saltar, pensaste nisso a vida toda… seguir viagem… lindo! Seguir a minha rota, não faço a mínima ideia para onde vou, mas vou. Sim mas tudo isto é pensamento, o problema é ir, o problema é perceberes que deixaste o casaco com o mapa, a morada que não podias perder, o cantil e todas essas coisas imprescindíveis de uma existência urbana, no outro lado.
Voltas atrás e és puxado novamente ao brutal andamento da ferroviária rotina.
Imagina o que quiseres, um salto para a piscina sem água, queda livre sem pára-quedas, o que interessa é que viver é complicado mas tu adoras coisas complicadas, sempre o confessaste aos teus amigos naqueles momentos em que queres dar ideia que, para ti, tudo é simples.
Julgas-te bem acompanhado? Que sorte! Pena, o salto do cais da infinidade para o barco da realidade exposta, dar-se com os pés, não de mão dada.

O engraçado nisto, o inexplicável do objecto, o busílis da questão, o epígrafe oculto é que os homens de sobretudo (eu sabia que os podia encaixar em algum lado, obrigado menina estrela) andam tão confusos como tu e eu… e isso, isso meu amigo, é o que te mostra, sem margem para duvidas que não saber para onde vais, é a melhor coisa que te aconteceu.

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